Instagram @elenabelysheva0
Ainda era preciso ter um guarda-chuva à mão, na bolsa, mochila, sacola.
O céu não estava confiável. Dava pra ler em sua cor.
Naquele momento tinha cessado. Durante a manhã também fora assim: aquele chove e para.
Subiu por ladeiras e chegou ao destino sem a companhia da chuva.
Ainda havia alguns minutos até que todas as crianças fossem liberadas.
Parou num lugar para se fazer visível e olhou para o pequeno pátio que ficava bem em frente à saída, uma pequena poça d'água. Curiosamente centralizada.
Começaram a descer a rampa as crianças tingindo o ar com algazarras. E rapidamente se espalhavam pela direita, esquerda, em diagonal e se iam. Entravam a maioria em carros, outras seguiam a pé.
Talvez algum atraso, algum recado de última hora e as que eu esperava demoravam a sair.
Três meninas então desceram como desprendidas de algum grupo e não se espalharam pelas periferias, ao contrário, como se puxadas por alguma força invisível, foram parar no centro da poça d'água.
Uma, deslizava suave o pé calçado, deixando marca na água como se estivesse velejando, outra, apenas parada ali, a sola dos sapatos mergulhada na rasa poça; a terceira preferiu ouvir o barulho de pequenas gotas espirradas e batia um pé de cada vez com força controlada.
Estavam felizes - a poça e as meninas.
Há uma magia, há um tom de presente surpresa desembrulhado numa poça.
Chegaram então as crianças que aguardava; chegaram os adultos que eu ouvia enquanto caminhava rumo à saída.
Menina, saia já daí. Está molhando o sapato. Ai que nojo pisando nessa água suja. Você já imaginou se molha o seu pé?
Caminhei mais rápido para ir me distanciando do poço de lamúrias.
Escolhemos um caminho diferente para o nosso retorno.
Havia uma poça que sugou as crianças que eu conduzia para o seu centro.
Fiquei em absoluto silêncio.
Queria ouvir o barulho do presente sendo desembrulhado.